quinta-feira, 3 de julho de 2008

Garganta Profunda - CENSURADO!

No dia 10 de abril de 2008, a Coordenação de Extensão da FFPNM/UPE mandou arrancar os cartazes de exibição do filme Garganta Profunda e proibiram os funcionários do Apoio Técnico de pôr os equipamentos na quadra.

Saiba mais: http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=466086&tid=2593895378488380706

Maconha

Exibição do dia 12 de março de 2008.

Maconha

Por Fernando Braga (Floripa)


Verdade? O que é a verdade? Ela existe? Quem a criou? Por quê?

Neste documentário de Ron Mann, podemos ver como ela é forjada a partir de interesses pessoais, valores morais, étnicos e econômicos. Como a opinião pública pode ser manipulada por meio de propagandas em massa sem embasamentos científicos ou discussões públicas sobre um determinado assunto.

Ainda hoje, se tem um pensamento preconceituoso, cínico, e moralista acerca do tema. E, apesar dos bilhões de dólares gastos em uma verdadeira cruzada, ainda está muito longe de inibir o consumo da droga.

Como uma sociedade cria seus males? Seus bodes-expiatórios? Será que é justo proibir um prazer? Por que proibi-lo? Como pode justificar a ilegalidade de uma substância?

Como pode proibir o consumo e o comércio de uma substância simplesmente por que quem a consome são minorias mal vistas pela classe dominante hipócrita, enquanto substâncias muito mais nocivas ao individuo e à sociedade são aceitas e têm o consumo estimulado?

Será que depois de assistir esta obra você ainda vai olhar um “maconheiro" com os mesmos olhos? Ou vai odiá-lo mais ainda por que ele gosta de fumar uma planta sobre a qual você não sabe nada? Ou ainda, vai respeitá-lo, pois, o que ele faz não prejudica a você?

Saiba mais:


Baseado em Fatos: http://br.geocities.com/baseadoemfatos/index.

Marcha da Maconha: www.marchadamaconha.org

Uma Visão Multidisciplinar: www.neip.info/downloads/textos%20novos/maconha.pdf



Título Original: Grass

Direção: Ron Mann

Ano/Origem: 2000/Canadá

Gênero: Documentário

Duração: 78 minutos

Apoio a UFES e ao Cineclube Falcatrua

Em 21 de novembro de 2007.


Apoio a UFES e ao Cineclube Falcatrua

Juíza da 6ª. Vara Cível acolhe demanda do Consórcio Europa contra a Universidade Federal do Espírito Santo e cineclube capixaba

Até quando...?

Até quando juízes obscuros abusarão da justiça em nome de estreitas convicções pessoais que atropelam a legislação e os direitos civis mais elementares?

Por quanto tempo ainda hão de zombar de nós com essa loucura? A que extremos se há-de precipitar essa audácia sem freio? (Discurso de Cícero contra Catilina)

Um dia se revoga a Lei Maria da Penha, por uma pretensa vilania original da alma feminina; em outro, atenta-se ferozmente contra a livre circulação da cultura, tal como prescrita do Código Civil e nas leis que a regulamentam.

"Uma sentença da juíza substituta da 6ª Vara Federal Cível, Renata Coelho Padilha Gera, julgou parcialmente procedente os pedidos indenizatórios do Consórcio Europa contra a Universidade Federal do Espírito Santo por conta do Cineclube Falcatrua. Trata-se de um projeto defendido em curso de extensão da universidade que, em 2004, promoveu exibições públicas de cinema usando cópias de filmes ilegais obtidas através da Internet." (Da redação da Revista Tela, o grifo é nosso)

Em breves considerações, essa sentença fere diretamente o art. 184 do Código Civil, modificado pela redação que lhe deu a Lei 10.695/2003: todas as limitações à exibição ou reprodução de obras culturais, por qualquer meio ou tecnologia, referem-se à sua realização com intuito de lucro, direto ou indireto. "Contrario sensu, é permitida a cópia integral de obra intelectual, sem autorização do detentor do direito autoral, desde que não se vise lucro, seja direto, seja indireto, mas é proibida a cópia não autorizada, mesmo parcial, para fins lucrativos." (Miguel de Almeida, in Revista Consultor Jurídico, 20 de agosto de 2007)

Ora, a exibição do filme em questão, "Farenheit 911", como noticiada, é parte de um curso de extensão daquela universidade federal, realizado com uma entidade sem fins lucrativos – o Cineclube Falcatrua – regulamentada recentemente pela Instrução Normativa no. 63, da Ancine, sem cobrança de ingresso. A sessão foi realizada dentro do recinto da universidade, pública e igualmente gratuita.

"A juíza considerou que "a autora (o Consórcio Europa) não pode valer-se da violação a direitos autorais ou de propriedade industrial, uma vez que não é a detentora de tais direitos" Mas, contraditoriamente afirma que "ao adquirir a mesma obra, para fins de exibição pública, através de canal não autorizado, causou prejuízo à autora, de ordem patrimonial, uma vez que referido produto só poderia ser adquirido licitamente através da distribuição desta" (Revista Tela Viva).

No entanto, "Pelo Princípio da Reserva Legal, segundo o qual não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia fixação legal, a cópia integral não constitui sequer contravenção. No Brasil, quem baixa arquivos pela internet ou adquire produtos piratas em lojas ou de vendedores ambulantes não comete qualquer ato ilícito, pois tais usuários e consumidores não têm intuito de lucro." (Manuel de Almeida, ibidem)

Mais que isso, a Lei 9.610, "dos direitos autorais", afirma (art. 29, itens VII e VII, alíneas e, g, h e outras) que "cabe ao autor o direito exclusivo de dispor" da obra e sua divulgação. Ora, o próprio Michael Moore, o que é notório, disponibilizou sua obra na Internet, posicionando-se pela sua livre difusão.(*)

Finalmente, o art. 46 da lei dos direitos autorais reforça que eles não podem limitar o uso "para fins didáticos, sem lucro", tal como neste caso, de um curso de extensão universitária.


Caça às bruxas

"O advogado Marcos Bitelli, autor da ação, explica que o Consórcio Europa pediu a abstenção das exibições públicas de obras por ela licenciadas e a destruição dos equipamentos usados para as exibições." (Revista Tela Viva, o grifo é nosso). Não bastam multas, adjudicadas, mas quer-se a queima dos materiais, dos bens da universidade federal! Por macabra coincidência, justamente do filme que alude ao clássico de Stanley Kubrick sobre a queima de livros. No afã de tudo possuir, apela-se para medidas dignas apenas das trevas medievais ou do mais desenfreado fascismo. Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Oh tempos, oh costumes! Este homem aponta-nos e marca-nos, um a um, para a chacina.(Discurso de Cícero contra Catilina)

A livre circulação dos bens culturais, resguardados os direitos comerciais, é condição essencial para a reprodução do conhecimento, o desenvolvimento da cultura. A criação é um processo contínuo, baseado no cotejo permanente com o patrimônio artístico da humanidade, que não pode ser apropriado por alguns em detrimento da maioria, tal como estabelecem os artigos 19, 27 e 30 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tal é origem do conceito de direito autoral, criado para defender autores dos abusos das empresas que controlam a distribuição de suas obras. E não o contrário, limitando o conhecimento e a fruição do saber e da arte em nome da apropriação de lucros presentes e sempiternos. Que, por sua vez, certamente não foram prejudicados pela exibição de um filme numa sala de aula.

Os cineclubes brasileiros apelam a todas as forças da sociedade para se posicionarem contra esse grave precedente, ainda em primeira instância, que atenta contra o direito que tem todo ser humano "de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios" (Declaração Universal dos Direitos Humanos).

Através de sua entidade nacional, solidarizam-se com a Universidade Federal do Espírito Santo e com o Cineclube Falcatrua, conclamando particularmente os cineclubes, os cineastas, as entidades culturais e movimentos sociais a se mobilizarem em defesa das liberdades essenciais de livre circulação de idéias, conhecimento e cultura.


Assinam a nota (até a 6ª parcial): http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=466086&tid=2567595083789108789&na=1&nst=1

Adeus, Lênin!

Exibição do dia 08 de novembro de 2007.


A Segunda queda do Muro de Berlim

Por Radamés Manosso


Sempre esperamos que a arte exorcize os demônios da História. A queda do muro de Berlim foi um trauma para muita gente. Não que as pessoas quisessem a continuação do muro, mas porque houve duas quedas em uma só: a do muro e a do socialismo real. Tudo bem, estamos falando de pessoas ao redor do mundo que acreditavam, algumas ainda acreditam, na utopia socialista. Mas quem viveu no socialismo real vê as coisas sob outra perspectiva e nada como um filme feito por alemães para nos dar a visão de quem estava lá sobre o fim do muro e da RDA (República Democrática Alemã, a Alemanha oriental e socialista).


Adeus, Lenin! usa a inesgotável e universal fórmula de retratar os dramas individuais tendo a História como pano de fundo. E faz isso com leveza, sensibilidade e humor. As transformações sociais causadas pelo retorno ao capitalismo estão lá registradas. Os alemães orientais abandonam rapidamente o modo de vida comunista e aderem ao capitalismo sem maior resistência. Há uma certa ironia em relação aos camaradas comunistas. Eles são postos como pessoas ingênuas ludibriadas pela tosca propaganda oficial. Por outro lado, os capitalistas recém convertidos são fúteis e fazem tudo por dinheiro. É o conflito entre dois mundos, como se Christine fosse Dom Quixote e seu filho Alexander, Sancho Pança. Ela crê na utopia socialista com uma ingenuidade digna de respeito. O terreno e objetivo Alexander se adapta rapidamente aos novos tempos, mas é capaz de criar as situações mais surreais para não abalar a saúde de sua mãe.


Esse filme é mais do que um registro sensível e divertido sobre um momento da história alemã. É uma reflexão sobre a velha oposição entre práticos e idealistas, inseridos e desajustados, vanguardistas e ultrapassados. E acima da ideologia, está o amor entre mãe e filho.



Endereço deste artigo: http://www.radames.manosso.nom.br/critica/filmeadeuslenin.htm


Título Original: Good Bye, Lenin!

Direção: Wolfgang Becker

Ano/Origem: 2003/Alemanha

Gênero: Comédia

Duração: 121 min

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Videodrome


Exibição do dia 24 de outubro de 2007.


Videodrome

Por Carla Alice Apolinário Italiano


"Long live the new flesh". Frase emblema - ao mesmo tempo positivismo, ironia e pessimismo - condensa de modo bem elaborado a postura do filme frente à história de alucinação com ares de pesadelo tecnológico que decide contar. Frase como slogan do novo ser humano, concebido e disseminado pelo poder da televisão; como ruína evidente da resistência frente à manipulação que agora deixa de ser ideológica para se tornar física. Quando Max Renn profere tais palavras temos consciência de que ele adentra em um outro estado de existência, que sua transformação em “nova carne” foi efetivada de tal maneira que um retorno já não se mostra possível – sua sobrevivência (se ela existir) se dará estritamente em um estado midiático. Como a personagem de Brian O’Blivion em determinado ponto anuncia, “televisão é realidade, e a realidade é menos que a televisão”.


O trunfo do filme é nos deixar ser engolidos pela visão do protagonista, nossa percepção alterada a ponto de não se poder determinar onde termina a sua (nossa?) realidade e começa a alucinação. Nos identificamos com Max, desde sua vontade por algo “mais forte” - pornografia/violência -, seu fascínio ao conseguir posicionar seus anseios em um programa televisivo, a íntima relação entre dor e prazer (Crash?) na sedutora figura de Nikki Brand. A partir desse ponto uma sensação de incômodo é derivada no espectador quando essa identificação caminha junto à obsessão, os desejos do protagonista o fazendo sucumbir em uma intrincada trama de reviravoltas e poder. O olhar objetivo aos poucos se funde ao da primeira pessoa em uma subjetividade agonizantemente criativa, que pode se manifestar na humanização (como não poderia deixar de ser) do aparelho televisivo ou na criação de novos orifícios corporais - inventividade que seria retomada em Naked Lunch, com suas máquinas de escrever mugwump-beatnik expelidoras de suco.


Dentro da filmografia de Cronenberg Videodrome não é exceção. Aqui ele nada faz além de transportar seu já consolidado ideário cinematográfico para um olhar sobre a televisiva década de 80: a transmutação tecnológica, a evolução regressiva do caráter humano frente às inovações científicas, o retrato psicologicamente denso de personagens em seus vícios e obsessões, a sexualidade humana em sua complexidade.


Videodrome enquanto um programa televisivo, que na espécie de lógica irracional em que o filme maior se insere carrega o poder de alterar a pessoa que o assiste (alteração que, como era de se esperar, não se restringe ao metafórico); manipulação social com toques de seita religiosa. Videodrome enquanto filme, que faz questão de se embaralhar à sua criação homônima (como o título se apresentar de forma idêntica ao de videodrome-video) e suscitar pontos de convergência. Videodrome como a síndrome do video (e nesse caso a tradução está do meu lado) - a televisão apocalíptica como pretexto para um mergulho na psicologia humana.





Título Original: Videodrome

Direção: David Cronenberg

Ano/Origem: 1983/Canadá, Estados Unidos

Gênero: Ficção Científica, Suspense, Terror

Duração: 87 min.

Fucking Amal


Exibição do dia 9 de outubro de 2007.



Amigas de Colégio: Agonia e Êxtase


Por Kleber Mendonça Filho


Amigas de Colégio (Fucking Amal, Suécia, 1998), do estreante Lukas Moodysson (seu segundo filme é o também simpático Bem-Vindos), apresenta um olhar nítido e carinhoso sobre o inferno e confusão hormonal que é a adolescência. Utiliza uma história de amor entre duas garotas, Elin e Agnes, para nos envolver na lógica e visão do mundo de pessoas que não são mais crianças, mas que ainda não aparentam funcionar plenamente como adultos... Pois bem, num golpe inteligente, o filme nos diz que adolescentes têm condições de decidir seus caminhos, e isso inclui a sexualidade. É uma visão subversiva, festejada aqui num cinema honestamente escandinavo.


Amigas de Colégio tem tamanho frescor que parece um documentário intimista. As atuações são perfeitas e têm um alcance dramático invejável estampado no rosto de, principalmente, Rebecca Liljeberg (Agnes). Já em direção ao final, Moodysson nos apresenta um outro grande momento repleto de inteligência e significado numa delicada utilização de metáfora para o "coming out/sair do armário". É um grande ponto final para o filme, não apenas engraçado, mas também de muita delicadeza.


O filme é também cheio de pequenas observações afiadas sobre a lógica hormonal dos adolescentes, o que o torna preciso e bem humorado. Elin, por exemplo, não sabe se será modelo ou psicóloga. Num outro momento, batatas fritas precisam ser consumidas para que uma mãe não desconfie de que as filhas não ficaram em casa. Há também uma ridícula tentativa de suicídio com um depilador descartável.


Amigas de Colégio toma de assalto um gênero conhecido do Cinema Americano (o filme "teen") e o melhora com um estilo realista, afinado e de uma clareza notável. Nos dá a impressão de termos visto um raio X verdadeiro não apenas de questões ligadas à descoberta da (homo)sexualidade, mas também de uma fase dolorosa para todos nós: a adolescência.

PS: observem atentamente Agnes, na última cena do filme. Existe expressão mais pura de felicidade e paixão estampada num rosto?


Endereço deste artigo: http://cf.uol.com.br/cinemascopio/critica.cfm?CodCritica=411

Título Original: Fucking Åmål
Direção: Lukas Moodysson
Ano/Origem: 1998/Dinamarca, Suécia
Gênero: Drama, Romance
Duração: 89 min.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Fahrenheit 451



Exibição do dia 14 de setembro, sexta-feira.



Fahrenheit 451 – Fogo amigo no AZouganda


É curioso que Fahrenheit 451 seja exibido no Cineclube AZouganda justamente na semana do 11 de setembro. Pode ter sido coincidência ou devidamente planejado, o fato é que foi uma sacada genial. Porque o filme do cineasta francês François Truffaut é um dos que melhores dialogam com a crise entre Ocidente e Oriente vivida atualmente. A obra não fala da guerra, da violência, mas de uma sociedade tão obcecada em tornar-se homogênea, produtiva e segura que sufoca a cultura.


O filme é baseado no livro homônimo de Ray Bradbury e conta à história de um futuro hipotético onde a escrita e os livros foram abolidos da sociedade por serem considerados perigosos. François Truffaut não apenas refletiu sobre o livro como o transformou em um filme essencialmente dele, o que em outras palavras quer dizer delicado, belo e extremamente profundo. Pelo adjetivo belo deve-se dividir o crédito com o diretor de fotografia Nicholas Roeg. A primeira vista esse parece uma película estranha à filmografia de Truffaut. O diretor sempre preferiu temas como mulheres, paixão ou a infância. A política nunca ocupava palco central nas suas obras. Nunca retornou a ficção científica depois de Fahrenheint 451 e nem fez outro filme em inglês. No entanto, em uma análise das outras obras de Truffaut nota-se que desde o primeiro longa-metragem, Os Incompreendidos, o diretor tratava da vontade de libertar-se. Liberdade política, liberdade de sentimentos e liberdade para seguir sua própria cultura ou outra se assim desejar. Mas, ser livre, porém, é impossível sem acesso ao conhecimento.


Truffaut, provavelmente, não estaria feliz com uma França lidando, e mal, com conflitos raciais sanguinolentos. Escolas americanas proibindo o ensino do darwinismo. Papa reacionário ao extremo. Uma sociedade que tenta doutrinar a cada dia a cultura e o pensamento dentro de regras. Mas, ficaria feliz em saber que os homens-livros atuais não precisam fugir, eles “atacam” por dentro em blogs, associações de bairro, youtube, cineclubes, qualquer meio para disseminar suas idéias.

Aluísio Gomes Jr.




François Truffaut: http://www.facom.ufba.br/com112_2001_2/nouvellevague/truffaut.html
Nouvelle Vague: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nouvelle_Vague



Título Original: Fahrenheit 451

Gênero: Ficção Científica

Tempo de Duração: 112 min.

Origem/Ano: Inglaterra/1966

Direção: François Truffaut

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Contra Todos


Exibição do dia 30 de agosto, quinta-feira



CONTRA TODOS: Um gás no aguado refrigerante do cinema brasileiro

Por Roberto Maxwell


Num momento onde a discussão mais importante entre os cineastas brasileiros é a conquista do grande público, CONTRA TODOS, o primeiro filme de Roberto Moreira, é um colírio intelectual para olhos tão cansados de ver idéias (muitas vezes mal) recicladas da TV dominando a produção cinematográfica nacional.
Sem trocadilhos, o diretor vai contra todos os clichês da atual leva de filmes brasileiros: diz não ao apelo fácil de rostos conhecidos do grande publico, não resvala para o sentimentalismo barato e para o maniqueísmo das histórias de mocinho e bandido, tem uma trilha sonora criativa e que interage com o resto da linguagem, escolhe a rua e o realismo cru batendo de frente com os suntuosos cenários e os rituais de embelezamento de planos através de movimentos de câmera rebuscados e de uma fotografia pretensamente bem elaborada.
Mais feliz, no entanto, foi a escolha do elenco. Ao apostar em rostos desconhecidos do público, o diretor consegue, pelo efeito do desconhecimento, uma identificação direta entre personagem e público, barreira que tem que ser transposta quando se trabalha com atores famosos. Mesmo assim, é o talento dos intérpretes que se sobressai, criando um filme equilibrado, onde todos os atores do elenco principal têm destaque.
CONTRA TODOS é um filme que bate de frente com toda a mesmice que vem empalidecendo de criatividade a produção brasileira atual e, mesmo que não encha os bolsos dos exibidores e distribuidores, já é uma prova de que o tão falado cinema nacional não morreu de obesidade pelo excesso de pagantes (estes muito bem-vindos, sobretudo quando pensantes), nem de inanição por medo de abordar temas ‘pesados’ e ‘polêmicos’, algo de que muitos cineastas fogem, com pavor de espantar o público.


Endereço deste artigo: http://cineminha.uol.com.br/materia.cfm?id=2164

Curtas-metragens de Roberto Moreira: http://www.portacurtas.com.br/buscaficha.asp?Diret=800
Cinema Brasil: http://www.cinemabrasil.org.br/



Título Original: Contra Todos

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 96 minutos

Origem/Ano: Brasil/2004

Direção: Roberto Moreira